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Príncipes do Samba conquista o 14º título do Carnaval de Joinville 2026 com enredo sobre ancestralidade afro-brasileira
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Foto: Divulgação -
Após 10 anos sem competição oficial, escola celebra 40 anos de história com desfile nota 10 inspirado no baobá, símbolo sagrado da cultura africana
Uma das escolas de samba mais tradicionais de Joinville, no Norte catarinense, a Príncipes do Samba conquistou o 14º título do Carnaval de Joinville 2026, reafirmando sua força histórica e cultural. A vitória veio no domingo (8), em um desfile marcado pela emoção, identidade afro-brasileira e pela retomada do Carnaval competitivo na cidade após uma década.
Com 40 anos de atividades, a escola foi a segunda a desfilar na avenida Beira Rio, levando à pista 522 integrantes, distribuídos em 34 alas, com um projeto artístico consistente e profundamente conectado à ancestralidade negra. O samba-enredo “Baobá, a Árvore Sagrada: Morada do tempo, saberes, memórias e resistência”, assinado por Conrado Laurindo e Vinny Machado, recebeu nota 10 e empolgou o público do início ao fim.
Ligada ao Kênia Clube, um dos clubes negros mais antigos do Sul do Brasil, com 65 anos de história, a Príncipes do Samba exaltou o baobá como símbolo de conexão entre passado, presente e futuro. No carro abre-alas, o leão — símbolo da escola — ganhou destaque ao lado de Tia Luiza, de 92 anos, uma das representantes mais antigas da agremiação, emocionando a comunidade.
Na cultura africana tradicional, especialmente na cosmogonia iorubá, o baobá representa a ligação entre o Orum (mundo espiritual) e o Ayê (mundo material). Essa simbologia foi explorada ao longo do desfile em alegorias e fantasias que exaltaram a ancestralidade, a resistência e o papel central das mulheres negras como guardiãs da vida, da cura e da memória coletiva.
O segundo carro alegórico destacou a força feminina, representando mães, parteiras, benzedeiras e mulheres guerreiras como raízes que sustentam o tempo, assim como o baobá sustenta gerações. Crianças simbolizaram as “sementes do baobá”, conectando tradição e futuro, em referência também à obra “O Pequeno Príncipe Preto”, do autor Rodrigo França, que inspirou alas voltadas à infância, imaginação e esperança.
Segundo a historiadora e pesquisadora da escola, Alessandra Bernardino, a construção do enredo partiu de pesquisas em literaturas primárias sobre a origem e o significado do baobá em países como Senegal e Madagascar, onde a árvore é considerada sagrada. “O principal objetivo foi reforçar a ideia da escola como uma árvore viva e ancestral, que gera frutos respeitando quem veio antes e abrindo caminhos para as próximas gerações”, explica.
Para a presidente da Príncipes do Samba, Ana Paula Nunes Chaves, o título simboliza a força da coletividade. “Essa vitória foi construída por muitas mãos, com noites mal dormidas, ansiedade e, acima de tudo, muito amor. O Carnaval é coletivo, e esse título volta para a casa que sempre acreditou nisso”, afirma.
O mestre de bateria Lucas Machado, formado em bateria popular pelo Conservatório de Música de Itajaí, destacou os oito meses de preparação intensa até o desfile. “A bateria é o único segmento que desfila durante todo o tempo. Desfilar sob o sol não foi fácil, mas a superação da comunidade fez esse título valer ainda mais”, ressalta.
Com o 14º campeonato, a Príncipes do Samba já inicia os trabalhos para o Carnaval 2027. Segundo o diretor de Carnaval, Deivison Garcia, além da pesquisa para o próximo samba-enredo, a escola sonha alto: desfilar também no Carnaval de Florianópolis, na Passarela Nego Quirido. Um pedido oficial já foi entregue ao governador Jorginho Mello, além de diálogo com a Liga das Escolas de Samba de Florianópolis (LIESF).
“Conquistar o título em Joinville confirma um trabalho coletivo, com base na ancestralidade, na comunidade e na busca pela qualidade. Em um ano tão simbólico, quando a escola completa 40 anos, esse resultado ganha ainda mais significado”, conclui Deivison.

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