Com R$ 109,9 milhões em investimentos, Joinville comemora 174 anos com grandes avanços |
Em artigo anterior abordamos a pujança da agricultura norte americana. A contribuição da mesma para o desenvolvimento daquele
país é notável.
E o Brasil, como fica nessa história? Simplesmente nadando de braçada. Por caminhos diferentes ultrapassamos os Estados Unidos, em
termos de volume exportado. O ano, 2023. Itens ponderados: frutas, verduras, cereais, carnes, queijos, ovos e azeites. Em 1962 exportávamos 1,9 milhões de toneladas. Ocupávamos a 11ª posição no ranking mundial. Na primeira posição os EEUU com 39 milhões de ton.
De lá para cá houve um avanço sem precedentes da produção agropecuária mundial. E mais ainda no Brasil. Em 2023 atingimos o topo
nas exportações, totalizando 179 milhões de toneladas, deixando com isso, os americanos em segundo lugar com 150 milhões de toneladas. Somos campeões na produção de soja, algodão, suco de laranja, café e na produção de carnes: bovina e de aves.
A pergunta que não se cala é: como conseguimos isso? Quais os fatores determinantes. São vários evidentemente, mas o principal: a determinação de nosso agricultor, do empreendedor rural. E, sobretudo, qualificação e muito suor.
Ninguém desconhece que tivemos os famosos ciclos econômicos, entre os quais o do pau-brasil, cana-de-açúcar, borracha, gado, café e,
mais recentemente das comodities: a soja, predominando. Todos esses ciclos alavancaram acumulações de capital. E
urbanidades. Ou seja, drenaram renda para os centros urbanos. A Avenida Paulista, só para citar um caso, chegou a concentrar o maior
número de latifundiários do país. Se produtivos ou improdutivos, essa é história.
No fundo a agricultura é uma só, não importa se familiar ou do chamado agronegócio. Varia apenas quanto a escala, superada que foi
pela pujança do cooperativismo. O cooperativismo, diga-se de passagem, iniciou somente na década de 1930 como política oficial. Estagnou, porém, vindo somente a ganhar novamente força a partir da década de 1970. E, agora como agentes financeiros alavanca oportunidades, dada a capilaridade do sistema.
Mas não há dúvida o investimento em qualificação técnica e gerencial foi o fator decisivo. E também dos serviços de extensão rural. E aí entra o papel da EMBRAPA, das EMATERs e das Unidades de Pesquisa Estaduais(UPE). E Colégios Agrícolas e Universidades. Cabe ao Estado de São Paulo o pioneirismo. Sai na frente através dos famosos institutos: Agronômico, Biológico, Zootecnia, Tecnologia de Alimentos Florestal e Butantã.
Em minas Gerais há o pioneirismo das Universidade com destaque para Viçosa(UFV) e Lavras (UFL). De lá saíram lendas agronômicas, caso de Alysson Paulinelli e Elizeu Rezende que redesenharam o cerrado brasileiro, incorporando-o à fronteira agrícola. E aí entra também o papel crucial da JICA – Agência do Governo Japonês -, ancorada pela EMBRAPA.
Fernado Penteado, agrônomo de nomeada da ESALQ/USP aponta algumas dessas alavancas. Enfatiza: o zebu indiano, brachiaria africana e o adubo incluindo o calcáreo como corretivo, mudaram o panorama agropecuário brasileiro.
Hoje, sabemos o fator terra não é mais principal fator de produção, mas sim, a tecnologia. E tecnologia exige sobretudo qualificação técnica e gerencial, ainda mais quando se fala em utilizar drones, inteligência artificial(IA) e inteligência operacional(IOT).
Para quem deseja aprofundar-se no tema recomendamos a leitura, entre outras, das seguintes obras: 1) A Transformação da Agricultura
Tradicional de Theodore W. Schultz e, 2) Os Caminhos da Agricultura Brasileira de Benedito Rosa do Espírito. Benedito discorre com
propriedade sobre o passado, o presente e as perspectivas futuras do agrobusiness nacional. Experiente agrônomo do Ministério da Agricultura, aborda o tema com conhecimento de causa.
Cabe destacar, segurança alimentar é questão estratégica. Chave. E nesse quesito, como celeiro do mundo, somos exemplo de competência, ousadia e coragem, isso tudo graças ao braço forte do homem do campo. Faça sol ou faça chuva, lá estão eles de mangas arregaçadas.
Joinville, 5 de março de 2025
Onévio Antonio Zabot
Engenheiro Agrônomo
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