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Secretária de Assistência Social descarta 'política higienista' para moradores de rua

  • Mauro Artur Schlieck -

A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Câmara discutiu hoje a política do município para pessoas em situação de rua. A secretária de Assistência Social, Fabiane Cardozo, explicou que não é possível simplesmente retirar as pessoas da rua, como cobra parte da população. "Não é uma política higienista que a gente prega, é uma política de educação, estamos lidando com seres humanos", afirmou.

Segundo o vereador Sales (PTB), a população do Centro está apreensiva com a presença de pessoas em situação de rua, como dormindo em frente a bancos. "Hoje quem mora no Centro da cidade tem medo de convidar alguém para ir em sua casa", contou o parlamentar.

Joinville oferece hospedagem e comida gratuitas, mas nem todos aceitam participar dos programas. Muitos são usuários de drogas e encontram mais liberdade nas ruas do que em abrigos. "As pessoas perguntam 'como é que tem gente na rua se tem vaga lá (nos abrigos)?' Eles têm que querer. A gente não consegue ir lá pegar a pessoa e colocar na Kombi", disse Fabiane.

Não existe um censo de pessoas em situação de rua, em Joinville, e a Prefeitura não fez estimativas. Em 2007, segundo o vereador Maurício Peixer (PL), na época secretário de Assistência Social, havia 147 pessoas nessa situação. Hoje, segundo ele, há cerca de mil. "Os prefeitos que passaram não tiveram atenção a isso, e Joinville se tornou uma cidade agradável para essas pessoas", disse o atual presidente da CVJ.

Localizado ao lado da rodoviária, o Centro POP atende cerca de 300 cidadãos por mês. A maioria, 63%, vem de outros estados e já está na rua há mais de seis meses, conforme dados do Centro POP que foram tabulados ano passado. Muitos vieram despachados por prefeituras onde a política é se livrar deles, como Balneário Camboriú, segundo a secretária de Assistência Social.

Fabiane admitiu, porém, que a abordagem pode mudar, passando a ser mais frequente oferecer passagens de volta para a cidade de origem para quem não aceita encaminhamento para o mercado de trabalho, por exemplo. "A gente está pensando em conversar com eles, porque quem não quiser nada com nada, aí vai ser complicado", explicou.

Esmolas

Vereadores e a secretária concordaram que é preciso conscientizar os joinvilenses para que não deem esmola. Para Fabiane, as pessoas precisam instruir quem pede dinheiro a procurar os equipamentos públicos de assistência, como o Centro POP e os dois restaurantes populares, que dispõem de café da manhã e almoço gratuitos.

O vereador Brandel Junior (Podemos) cobrou uma comunicação mais efetiva de conscientização, como "colocar fotos de pessoas usuárias de drogas" em anúncios que levem as pessoas a não dar esmola. Brandel observou que há pessoas que usam o dinheiro para comprar drogas. "Estamos sendo cofinanciadores do tráfico", disse o vereador.

A secretária Fabiane acredita que o rádio e a TV devem ser usados nessa campanha. Hoje, placas em semáforos orientam os cidadãos a evitar oferecer dinheiro. "A população não tem ideia do que a Prefeitura oferece. Acaba todo mundo dando dinheiro e boa parte acaba usando isso em drogas", argumentou Fabiane.

Saúde

A Secretaria de Saúde do município tem uma equipe técnica, com financiamento do Ministério da Saúde, que faz trabalho conjunto com o Centro POP. Segundo o secretário Jean Rodrigues da Silva, eles acompanham doenças crônicas das pessoas em situação de rua.(Divisão de Jornalismo CVJ - Carlos Henrique Braga)

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