CAPS Infantojuvenil capacita equipes de casas-lares para manejo de crises emocionais |
CAPS Infantojuvenil capacita equipes de casas-lares para manejo de crises emocionais
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Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação -
Formação em saúde mental orienta cuidadores de instituições de acolhimento e será ampliada para famílias acolhedoras em 2026
O cuidado diário com crianças e adolescentes em instituições de acolhimento, como as casas-lares, impõe desafios constantes às equipes, especialmente diante de situações de crise emocional. Com o objetivo de apoiar esses profissionais e qualificar o cuidado em saúde mental, o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS IJ) de Joinville promoveu um ciclo de capacitação voltado às equipes que atuam nesses espaços.
Os encontros envolveram profissionais da Casa Lar Emanuel, Associação Ecos de Esperança, Fundação 12 de Outubro e Lar Abdon Batista. A iniciativa deve ter continuidade em 2026, com a abordagem de outros temas relacionados à rotina do acolhimento institucional. Além disso, a capacitação será ampliada para famílias inscritas no Serviço Famílias Acolhedoras.
Segundo a gerente de Saúde Mental da Secretaria da Saúde, Ana Caroline Giacomini, a ampliação do público atendido pelas capacitações atende a uma demanda identificada ao longo do processo. “Em 2025, programamos capacitações com as quatro casas-lares de Joinville, mas vimos a necessidade de incluir também as famílias acolhedoras, pois as dificuldades vivenciadas nas casas-lares também podem ocorrer nesses lares familiares”, explica.
Atenção aos sinais e vínculo com a criança
A médica psiquiatra do CAPS IJ, Darlla Souza, responsável por conduzir as capacitações, destaca que o vínculo entre cuidadores e crianças ou adolescentes é fundamental para a segurança emocional e para o desenvolvimento futuro desses jovens. “Identificar mudanças de comportamento é essencial, pois isso influencia diretamente a forma como a criança vai se relacionar consigo mesma, com os outros e com o mundo ao seu redor”, ressalta.
De acordo com a especialista, crianças e adolescentes que passaram por experiências de ruptura familiar ou situações de violência tendem a apresentar padrões de comportamento distintos. “Eles recebem cuidado e afeto nas casas-lares, mas quando se sentem frustrados ou irritados, o instinto de sobrevivência pode ser diferente do de crianças que não vivenciaram essas experiências. Por isso, é fundamental que os profissionais compreendam a história de cada um para agir de forma respeitosa e acolhedora”, afirma.
A importância da integração entre os serviços da rede também foi destacada por Daiana Delamar Agostinho, coordenadora do Lar Abdon Batista e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Com 114 anos de atuação, a instituição acolhe crianças e adolescentes em situação de violência, negligência ou risco social. “Essa parceria com o CAPS IJ, as unidades de saúde e as escolas é essencial para o processo de inclusão. Precisamos dialogar, entender como funcionam os atendimentos e como estimular corretamente cada criança e adolescente”, avalia.
Como agir em situações de crise
A psicóloga Rubia Harmel, do CAPS IJ, que também atua à frente das capacitações, explica que é possível identificar sinais de uma crise emocional e adotar estratégias para apoiar a criança ou o adolescente. Entre os indicativos estão agitação ou silêncio repentino, aumento do tom de voz, mudanças na expressão facial e comportamentos agressivos.
“Nesses momentos, é fundamental manter a calma, demonstrar empatia, reduzir estímulos e falar de forma tranquila. A tranquilidade do cuidador é o ponto de apoio da criança”, orienta. A recomendação é conduzir o acolhido para um local mais calmo, permitir espaço quando possível, mas permanecer por perto, utilizando frases curtas e claras. “Em crises, crianças não conseguem processar discursos longos, e com adolescentes isso pode até agravar a situação. Em casos extremos, é importante buscar ajuda profissional e acionar as redes de suporte”, completa.
O CAPS Infantojuvenil atende crianças e adolescentes de zero a 18 anos incompletos que apresentam transtornos mentais graves e/ou persistentes ou fazem uso abusivo de substâncias psicoativas. Parte desse público está em instituições de acolhimento ou inserida no Serviço Famílias Acolhedoras, o que reforça a importância de ações integradas de capacitação e cuidado em saúde mental.

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