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JI ONLINE - MEMÓRIA - SEMANA DE JOINVILLE

  • Foto: Arquivo de família/ Ary Silveira de Souza - Competição de ciclismo pelas ruas centrais da cidade/1940

ACONTECEU EM JOINVILLE NO DIA 2 DE MARÇO

Da redação 1/3 - 23h55: No dia 2 de março de 2001 há 20 anos, o príncipe Dom Bertrand de Orleáns e Bragança da Casa Real Brasileira, visitava o prefeito Luiz Henrique da Silveira. Na oportunidade, o prefeito presenteou o príncipe com livros de fotografias, medalha e um prato decorado comemorativo aos 150 anos do município. O príncipe e o prefeito conversaram longamente sobre a família real e o dote de Dona Francisca que originou Joinville. O visitante apreciou e falou de sua satisfação em ver retratos do Príncipe de Joinville e da Princesa Dona Francisca, no gabinete do prefeito. Fonte: Jornal do Boa Vista - edição março/2001.

Bairro Floresta, sua história e sua gente
Alwim Gustavo Timm, entrevistado em junho de 2000, pouco depois de completar 90 anos, conta a história de seu bairro. Ele revela que o ex-piloto Mauricio Gugelmin, único catarinense a chegar à principal categoria do automobilismo mundial veio ao mundo pelas mãos de sua esposa, Sra.Álida, que era parteira. Aos 15 anos ele trabalhou na Metalúrgica Wetzel, até aos aos sábados e domingos, sem salário, somente para aprender.

O Jornal do Floresta publicou na sua edição nº 20, de 30 de junho de 2000, mais um capítulo da série "Floresta, sua História e sua Gente". Neste capitulo quem conta a história do bairro é Alwin Gustavo Timm. Com 90 anos completados em janeiro de 2000, ele nasceu na localidade de Corveta, em 1910. Reside no bairro há 76, onde chegou quando tinha apenas 14 anos. Ainda abalado com o falecimento da esposa Álida, em junho de 2000, depois de uma união de 65 anos e 363 dias, Alwin inicia seu relato sobre a história de seu bairro e cita nomes de moradores que participaram do processo de desenvolvimento.

Arquivo JI OnlineAlwim Gustavo Timm - Entrevistado aos 90 anos - em junho/2000

Escola: "Em 1914 estudei durante três meses em uma escola municipal, depois tive aulas com o professor Guilherme Schattschneider, duas vezes por semana, o que era muito caro, meus pais pagavam mensalmente 2 mil Réis. Foi com o professor Gulherme que aprendi a ler, escrever e falar a língua portuguesa".

Aprendizado: "Naquele tempo era muito importante aprender uma profissão e como não existam escolas profissionalizantes, os pais pagavam para que seus filhos mais jovens trabalhassem nas fábricas em busca de profissão. Então, quando tinha 15 anos fui trabalhar na Metalúrgica Wetzel, trabalhava até nos sábados e domingos sem receber salário, que para mim pouco importava, o que eu mais queria era aprender uma profissão".

Diversão: "No km. 5 da rua Santa Catarina existia um salão onde eram realizados bailes, foi lá que conheci Álida. Depois passamos a nos encontrar nos jogos de futebol, principalmente nos jogos do América Futebol Clube".

Revolução de 30: Eu estava no Tiro de Guerra, uma instituição militar do Exército Brasileiro encarregada de formar atiradores e ou cabos de segunda categoria (reservista), e o efetivo do 13º Batalhão de Caçadores, atual 62º Batalhão de Infantaria estava fora, em ações relacionadas com a revolução, quando juntamente com meus companheiros fomos convocados para patrulhar a cidade. Ocorreram tiroteios no centro de cidade, principalmente na rua 9 de Março, onde o prédio da empresa Alfredo Boehm, atual loja da Apolo, foi atingido por balas.

Sapatos no ombro: A rua Santa Catarina, depois dos trilhos da Estação, em dias de chuva a a lama não permitia andar de bicicleta. Deixávamos a bicicleta em casa e amarrávamos um sapato no outro e colocando-os sobre o ombro vínhamos a pé para a cidade. Nas proximidades dos trilhos existia um chafariz onde depois de lavar os pés calçava os sapatos e subíamos a avenida Getúlio Vargas até o centro.Entre os trilhos até onde está hoje a Sociedade Vera Cruz, existiam somente 15 casas. A pavimentação da rua com paralelepípedos foi iniciada em 1945, na gestão do prefeito João Colin.

Comércio: Eu era proprietário de um comércio ao lado de minha casa, era um armazém de secos e molhados. Na época era comum a troca de produtos, eu adquiria dos colonos o que eles produziam e pagava com produtos que eles não tinham. Eles trocavam o excedente da produção de subsistência. A maioria dos colonos vendia boa quantidade de leite que entregavam nas casas dos consumidores. O transporte era feito por carroças. Fui um dos primeiros moradores a adquirir um automóvel, um Chevrolet 1928, usado.

Água e luz: O bairro Floresta começou a substituir a luz a vela e suas lamparinas a querosene, em 1955. A água encanada demorou mais para chegar, naquele tempo somente algumas casas no centro da cidade possuíam água encanada.

Sociedade Floresta: "Sou um dos fundadores da Sociedade Floresta em 1940 e seu primeiro presidente. Lembro da solenidade de inauguração do campo do Floresta em 7 de setembro de 1951, com a presença do prefeito João Colin. Como torcedor do América, muitas vezes lotamos carros para ver o clube jogar em outras cidades, fomos até em Cuririba assistir jogos do clube do coração. Assisti muitos jogos no campo do América que ficava na rua Visconde de Taunay, onde está hoje o Hotel Tannenhoff".

Indústrias: "Existiam muitas olarias, entre elas uma que pertencia a Alberto Nicodemus; um curtume na região do Itaum, além de pequenas marcenarias e ferrarias".

Maurício Gugelmin: "Álida, minha esposa, foi parteira durante 54 anos. Não existia maternidade e muitas vezes à noite ou durante a madrugada, pessoas vinham buscar Álida para realizar parto. Para ela não importava as condições do tempo nem se existia condução , se era solicitada, lá ia Álida a pé, a cavalo ou de carroça, o importante era que alguém necessitava de sua presença. Através de suas mãos dezenas de pessoas vieram ao mundo, inclusive o piloto de Fórmula 1, Mauricio Gugelmin.Muito embora ele negue ter nascido em Joinville, seu nome está lá no caderno de Álida, onde ela registrava todos os nascimentos".

Bairro Boa Vista, sua história e sua gente
Vivendo 82 anos no Boa Vista, Wenceslau de Oliveira Borges narra a sua visão sobre a história do seu bairro. Assistiu a primeira missa celebrada no bairro, na casa de seu avô. Era seu avô quem fornecia árvores que viravam canoas de um pausó, usadas por pescadores. Incorporado ao 13º Batalhão de Caçadores, entre 1939 e 1940, com mais de uma centena de soltados esteve na Ilha da Rita e presenciou a inauguração de uma adutora pelo presidente Getúlio Vargas que chegou a bordo do cruzador Rio Grande do Sul.

O Jornal do Boa Vista, edição nº 26, de 30 de junho de 2000, publicava mais um capítulo da série "Boa Vista, sua História e sua Gente". O jornal abre a publicação fazendo a apresentação do entrevistado.
Na sequência da série de publicações sobre a história do Boa Vista, sempre relatada por moradores que acompanharam o processo de desenvolvimento do bairro, apresentamos hoje o relato de Wenceslau de Oliveira Borges. Nosso entrevistado é natural do Boa Vista onde vive há 82 anos, é casado com a Sra. Délia, o casal tem três filhos, reside na rua Albano Schmidt, 1.249".
Deixemos agora por conta de Wenceslau que com suas próprias palavras tem muito para contar.

Arquivo JI Online/Wenceslau de Oliveira Borges Aos 82 anos - entrevistado em junho/2000

Acesso ao Boa Vista:"Eu lembro que existiam duas frágeis pontes de madeira sobre o rio Cachoeira; uma no início da rua 15 de Novembro, proximidades do Cine Palácio e outra, somente para pedestres na rua Otto Eduardo Lepper, usada para acessar a empresa Fabril Lepper. Meu pai (Pedro de Oliveira Borges) contava que no seu tempo de escola não havia pontes o que o brigava a caminhar em torno do morro Boa Vista até chegar no ponto onde hoje está a rua Castro Alves, no atual bairro Saguaçu. Durante muito tempo a principal via foi o rio Cachoeira, principalmente para os moradores venderem o excedente de suas culturas de farinha, arroz e também peixes."


Indústria: "A primeira indústria que conheci foi uma fabrica de bebidas que empregava cerca de 10 pessoas e ficava onde está a Associação Atlética Tupy. O primeiro automóvel visto no Boa vista foi um Ford A, pertenceu ao dono da indústria."

Getúlio Vargas: "Prestei serviço militar entre 1939 e 1942 no 13º Batalhão d eCaçadores, atual 62º Batalhão de Infantaria. Foi nessa época que juntamente com mais de uma centena de soltados fomos deslocados para a Ilha da Rita onde presenciei a inauguração de uma adutora pelo presidente Getúlio Vargas que chegou a bordo do cruzador Rio Grande do Sul. A água vinha da região do Frias e se destinada ao abastecimento de navios de guerra da Marinha Brasileira."

Primeira missa: "A primeira missa celebrada no Boa Vista foi na casa de meu avô, Antônio de Oliveira Borges, em julho de 1932. Na ocasião foram realizados três casamentos. A casa do meu avô ficava mais ou menos onde está a Cooperativa da Tupy. Somente em 1951 foi iniciada a construção da igreja em terreno doado por Abilio Alves do Amaral. A primeira diretoria que coordenou início da construção era formada por: Pedro Bastos (presidente), Abilio Alves do Amaral (1º tesoureiro), Wenceslau de Oliveira Borges (2º tesoureiro), José Lino de Oliveira (secretário). A igreja foi construída em regime de mutirão e foi concluída em 1965, Silvio Trömm, foi o
primeiro padre."

Preservação: "Já existia a preocupação com a preservação da Mata Atlântica. Meu avô não deixava de atender pedidos de doação de árvores para a construção de canoas, mas ele é quem determinava a árvore que podia ser derrubada. Toda a água consumida por moradores vinha de nascentes do morro Boa Vista e existia medo que as nascentes secassem."

Futebol : "O primeiro clube de futebol foi o Paraíso Futebol Clube, seu campo ficava situado nas imediações da atual Loja Salfer. Meu sogro, Afonso Alves de Oliveira foi presidente. A área para o campo foi doada por Marcolino de Oliveira Borges, ele também cedeu cavalos para promover a destoca do terreno. Boa Vista e Ademar Garcia foram clubes que vieram depois."

Constituinte: "Em 1946, integrando uma delegação de sindicalistas, estive no Rio de Janeiro, onde no Teatro Nacional acompanhamos a promulgação da Constituição. Os demais integrantes da delegação foram; Francisco Gonçalves (Chico Pau), Edmundo J .de Bastos, Ivo Varella, Waldemiro Palhares, Paulino Leite (fiscal do trabalho) e Pedro Budal. Viajamos de ônibus até Curitiba e de lá até o Rio de Janeiro em avião da Transportes Aéreos Cruzeiro do Sul."

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Semana de Joinville
O que de mais importante aconteceu em Joinville de 2 a 9 de março.
1851 até 2020 - Semana de Joinville - de 2 a 9 de março -
novas postagens todos os dias. Fatos históricos e entrevistas feitas há mais de 20 anos com antigos moradores.

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