Irã atinge centro de energia do Catar e alvos na Arábia Saudita

  • Foto: Reuters/Mohammed Salem/Proibida reprodução -

Escalada na guerra faz os preços de petróleo dispararem

O enorme campo de gás Pars, no Irã, foi atingido nessa quarta-feira (18), em uma grande escalada na guerra dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra o Irã, que fez os preços do petróleo dispararem. Teerã atingiu o Catar e disparou mísseis contra a Arábia Saudita, depois de prometer ataques a alvos de petróleo e gás em todo o Golfo. 

A gigante estatal do petróleo do Catar, QatarEnergy, relatou "danos extensos" depois que a cidade industrial de Ras Laffan, um centro da indústria de energia, foi atingida por mísseis iranianos. A Arábia Saudita disse ter interceptado e destruído quatro mísseis balísticos lançados em direção a Riad nessa quarta-feira e uma tentativa de ataque de drones a uma instalação de gás no leste do país. 

A escalada ameaça piorar uma desorganização sem precedentes no fornecimento global de energia, o que elevou os riscos políticos para o presidente dos EUA, Donald Trump. Os preços do diesel nos Estados Unidos já subiram acima de US$ 5 por galão pela primeira vez desde o aumento da inflação de 2022, que corroeu o apoio ao seu antecessor Joe Biden. 

O conflito já interrompeu o transporte marítimo da região produtora de energia mais importante do mundo e agora pode causar danos duradouros à sua infraestrutura. Os preços de referência do petróleo Brent subiram cerca de 5%, ficando acima de US$ 108. Os mercados de ações caíram. 

Em Washington, a chefe de Espionagem dos EUA, Tulsi Gabbard, disse ao Congresso que o governo do Irã foi enfraquecido desde o início da guerra em 28 de fevereiro, mas parece estar intacto, com Teerã e seus aliados ainda capazes de atacar os interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio. 

Os preços ao produtor dos EUA tiveram o maior aumento em sete meses em fevereiro, impulsionados pelos custos mais altos de serviços e de uma série de mercadorias, e podem acelerar ainda mais à medida que a guerra aumenta os preços do petróleo. 

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse que o governo Trump anunciaria "algumas coisas" nas próximas 24 a 48 horas para lidar com o aumento dos preços do gás. 

Pars é o setor iraniano do maior depósito de gás natural do mundo, que o Irã compartilha com o Catar do outro lado do Golfo. 

O ataque foi amplamente divulgado na mídia israelense como tendo sido realizado por Israel com o consentimento dos EUA, embora nenhum dos países tenha reconhecido a responsabilidade imediata. 

A agência de notícias Fars, do Irã, informou que tanques de gás e partes de uma refinaria foram atingidos. Os trabalhadores foram evacuados e a mídia estatal disse, mais tarde, que o incêndio estava sob controle. 

O Catar, um aliado próximo dos EUA que abriga a maior base aérea do país na região, culpou Israel pelo ataque, sem mencionar qualquer papel dos EUA, e o chamou de "perigoso e irresponsável", colocando em risco a segurança energética global. Os Emirados Árabes Unidos também denunciaram o ataque. 

O Irã listou uma série de importantes instalações regionais de petróleo e gás, que chamou de "alvos diretos e legítimos" -- a Refinaria Samref e o Complexo Petroquímico Jubail da Arábia Saudita, o Campo de Gás Al Hosn dos Emirados Árabes Unidos, e o Complexo Petroquímico Mesaieed do Catar, a Mesaieed Holding Company e Ras Laffan. 

Acrescentou que essas instalações deveriam ser esvaziadas imediatamente antes de serem atingidas nas próximas horas. 

Os EUA e Israel tinham evitado atacar as instalações de produção de energia do Irã no Golfo, evitando a retaliação iraniana contra as indústrias de petróleo e gás de seus vizinhos. 

O Irã já fechou o Estreito de Ormuz, que movimenta 20% do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito, mas as nações consumidoras esperavam que a interrupção fosse de curta duração, desde que a infraestrutura de produção fosse poupada. 

A chefe de Política Externa da União Europeia (UE), Kaja Kallas, conversou por telefone nessa quarta-feira, com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e disse que a passagem segura pelo Estreito era uma prioridade para a Europa e que o bloco apoiava uma solução diplomática para a guerra. 


"Todos estão na mira" 

Os militares israelenses também atingiram o centro de Beirute, destruindo prédios de apartamentos, em alguns dos ataques aéreos mais intensos na capital libanesa em décadas. 

Ontem, Israel matou o ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib, um dia depois de eliminar o poderoso chefe de Segurança Ali Larijani, e o ministro da Defesa israelense, Israel Katz. "Ninguém no Irã tem imunidade e todos estão na mira". 

Ele e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, autorizaram os militares israelenses a "atacar qualquer autoridade de alto escalão iraniano para o qual surja uma oportunidade operacional e de inteligência, sem a necessidade de aprovação adicional". 

Em Teerã, milhares de pessoas foram às ruas para o funeral de Larijani e de outros líderes mortos. 

O Irã retaliou a morte de Larijani disparando mísseis contra Israel, que, segundo as autoridades israelenses, mataram duas pessoas perto de Tel Aviv. Teerã disse que disparou durante a noite contra Tel Aviv, Haifa e Beersheba, em Israel, e contra as bases dos EUA no Barhein, Iraque, na Jordânia, no Kuwait, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Relacionadas Irã ameaça indústria de energia do Catar, Arábia Saudita e Emirados Irã confirma morte de Ali Larijani, chefe de segurança do regime Seleção feminina do Irã volta ao país após algumas desistirem de asilo.

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