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Impressora 3D revoluciona cirurgias ortopédicas no Hospital São José de Joinville
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Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação -
Tecnologia permite reprodução fiel de ossos fraturados, melhora o planejamento cirúrgico e fortalece a formação de médicos residentes na rede pública de saúde
A tecnologia vem transformando a rotina de atendimentos ortopédicos no Hospital Municipal São José de Joinville com a utilização de uma impressora 3D capaz de reproduzir, com precisão, partes de ossos que sofreram fraturas ou fissuras. O recurso inovador tem otimizado diagnósticos, aprimorado o planejamento pré-operatório e contribuído para melhores resultados cirúrgicos.
A implantação da tecnologia no hospital contou com o apoio do médico ortopedista Guilherme Stirma, que há cerca de 10 anos estuda e utiliza biomodelos tridimensionais em sua prática profissional. Ele intermediou o contato com a empresa Slim 3D Impressoras, responsável pela doação do equipamento à unidade hospitalar.
De acordo com o especialista do setor de Ortopedia e Traumatologia, o uso de impressões em 3D vem crescendo na área médica justamente por permitir análises mais detalhadas e assertivas. “Com o advento da tecnologia, conseguimos melhorar a programação pré-operatória. Trazer esse recurso para o sistema público de saúde tem como objetivo qualificar o planejamento das cirurgias e também fortalecer o aprendizado dos médicos residentes”, destaca Guilherme.
A impressora doada ao hospital é o modelo Creality CFS, de fabricação chinesa, reconhecida por sua tecnologia avançada e facilidade de operação. Segundo o ortopedista, equipamentos desse tipo começaram a ser utilizados na medicina há cerca de uma década, mas eram grandes, caros e pouco acessíveis. “Nos últimos cinco anos, as impressoras 3D se tornaram mais automatizadas e simples de operar, o que facilitou sua incorporação na área da saúde”, explica.
Biomodelos em tamanho real auxiliam diagnósticos complexos
Os biomodelos tridimensionais são utilizados principalmente em casos ortopédicos mais complexos, que demandam intervenção cirúrgica. A partir de exames de imagem, como tomografias e ressonâncias magnéticas, a impressora converte dados digitais em modelos físicos confeccionados em material plástico.
Um dos grandes diferenciais da tecnologia é a reprodução exata das dimensões do osso do paciente, permitindo uma análise minuciosa da lesão e do melhor procedimento a ser adotado. Desde a instalação do equipamento, em novembro do ano passado, já foram realizadas cerca de 50 impressões, contemplando regiões como quadril, pé, ombro, joelho, tornozelo, coluna e outras estruturas ósseas.
“Quando analisamos apenas imagens no computador, temos uma percepção bidimensional. Com o biomodelo em mãos, passamos a compreender a volumetria e a complexidade real da fratura”, explica Guilherme. Ele ressalta ainda que a experiência tátil é fundamental para o cirurgião. “Tudo o que é possível tocar e manusear facilita o entendimento e antecipa os desafios que serão encontrados durante a cirurgia”.
Tecnologia fortalece ensino e qualificação profissional
Ainda pouco difundida na saúde pública e privada no Brasil, a impressora 3D se consolida como um diferencial do Hospital Municipal São José de Joinville, com potencial de aplicação também em outras especialidades médicas.
Além de beneficiar diretamente os pacientes, o equipamento tem papel importante na formação dos médicos residentes. Para o residente Annibal Nakamura, o contato com essa tecnologia em um hospital público superou expectativas. “Eu nunca imaginei encontrar esse tipo de equipamento na rede pública. É algo fenomenal para o aprendizado e uma oportunidade única”, afirma.
Segundo ele, a tecnologia traz mais segurança para o planejamento cirúrgico e amplia o conhecimento biomecânico dos profissionais em formação. “Cada fratura é diferente. Ter essa visão tridimensional muda completamente a forma de entender o caso e planejar a melhor solução”, conclui.

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