Epagri investe R$ 3,2 milhões na formação de jovens e mulheres para fortalecer o futuro do campo catarinense
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Foto: Pablo Gomes/Epagri -
Programas Flor-E-Ser e Ação Jovem Rural e do Mar capacitaram mais de 670 pessoas em 2025, incentivando o protagonismo feminino e a sucessão familiar no meio rural e pesqueiro
A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) garantiu, ao longo de 2025, R$ 3,2 milhões em ações voltadas à formação de jovens e mulheres, com o objetivo de incentivar o protagonismo feminino e assegurar a sucessão familiar no meio rural e pesqueiro. Os investimentos contemplaram os programas Ação Jovem Rural e do Mar e Flor-E-Ser, que juntos capacitaram mais de 670 participantes em diferentes regiões do estado.
Somente em 2025, os cursos da Ação Jovem Rural e do Mar formaram 303 jovens, enquanto o programa Flor-E-Ser atendeu 368 mulheres, com capacitações em áreas como gestão, empreendedorismo, cooperativismo e práticas produtivas. As iniciativas buscam preparar novos líderes para atuar no campo, garantindo a continuidade das atividades agrícolas e pesqueiras em Santa Catarina.
De acordo com o presidente da Epagri, Dirceu Leite, o foco das ações é assegurar o futuro da produção no estado. “As ações qualificam jovens e mulheres, ampliam o acesso ao crédito rural e garantem apoio técnico para que eles desenvolvam seus projetos nas propriedades, assegurando a continuidade da produção, a renovação geracional e o fortalecimento da agricultura familiar e da pesca”, afirma.
Os dados do Censo Agropecuário de 2017 evidenciam o desafio do protagonismo feminino no campo. No Brasil, apenas 20% dos estabelecimentos rurais eram geridos por mulheres, percentual que em Santa Catarina era ainda menor, de 10%, segundo o IBGE. Apesar disso, a expectativa é de mudança desse cenário com o avanço de políticas de empoderamento. Desde 2019, o programa Flor-E-Ser já capacitou mais de 700 mulheres, criando oportunidades para que assumam papéis de destaque nas atividades rurais e pesqueiras.
Os cursos do Flor-E-Ser são realizados nos 13 centros de treinamento da Epagri espalhados pelo estado. As participantes permanecem dois dias por mês nas unidades, participando de aulas teóricas e práticas, além de trocar experiências. Após a formação, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária oferece apoio financeiro para o desenvolvimento de novos empreendimentos ou a melhoria das atividades existentes. Em 2025, esses projetos receberam mais de R$ 6 milhões em investimentos.
Um dos exemplos de transformação proporcionada pelo programa é o da agricultora Denise Melânia Vital, de Araquari. Após participar do Flor-E-Ser, ela transformou um hobby em negócio e hoje é proprietária de uma pequena agroindústria de massas e panificados. “Eu costumo dizer que o curso foi um divisor de águas. O que eu tinha de paixão, mas que estava adormecido, foi despertado. No Flor-E-Ser, encontramos incentivo e apoio”, relata.
Além do protagonismo feminino, a Epagri também atua para enfrentar o desafio da sucessão familiar no campo. Dados do IBGE apontam que apenas 30% das empresas familiares agrícolas são herdadas pelos filhos e somente 5% pelos netos. Para mudar essa realidade, desde 2012 o programa Ação Jovem Rural e do Mar já capacitou mais de 3,2 mil jovens entre 18 e 29 anos.
O curso tem duração de um ano e, ao final, cada participante elabora um projeto de vida com propostas de melhorias para o negócio da família, que recebem apoio financeiro do Governo do Estado para serem implementadas. Além da qualificação técnica, o programa estimula a liderança e a atuação em instituições comunitárias, como sindicatos e associações.
O casal Jenifer Dettenborn e Alexsandro Vendruscolo, de Dionísio Cerqueira, exemplifica os resultados do programa. Egressos da Ação Jovem Rural e do Mar em 2023, eles aperfeiçoaram a gestão da propriedade da família, antes dedicada apenas à produção de leite. Hoje, além do leite, produzem feijão, mandioca, batata-doce e carne, com foco em aumentar a renda e reduzir custos. Com apoio técnico da Epagri, a produção leiteira da propriedade passou de nove para 15 litros, reforçando o potencial das políticas de formação e sucessão no campo catarinense.

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