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Carnaval de Joinville completa mais de 160 anos e retoma desfile competitivo em 2026
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Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação -
Tradição atravessa séculos, ganha as ruas e volta a ter disputa entre escolas de samba em 2026, na avenida Beira Rio
Se hoje o Desfile das Escolas de Samba de Joinville reúne carros alegóricos, baterias afinadas e uma competição acirrada, no século XIX o cenário era bem diferente. O primeiro registro do Carnaval joinvilense data de 1865, comprovando que a cidade mantém viva a tradição carnavalesca há mais de 160 anos.
“Para quem acha que Joinville não tem tradição ou que o joinvilense não gosta do Carnaval, nós temos registros no Arquivo Histórico que comprovam que a folia está presente desde os primeiros anos da Colônia Dona Francisca”, destaca Dilney Cunha, historiador e coordenador do Arquivo Histórico de Joinville.
Em 5 de março de 1865, o jornal Kolonie Zeitung, publicado em alemão, trouxe um anúncio convidando a população para a celebração. “Era uma festa em homenagem a Dionísio e Baco, deuses da alegria e do vinho, que representam as raízes europeias do Carnaval”, explica o historiador. Esse é considerado o primeiro registro oficial da festa na cidade, ainda distante do formato brasileiro atual.
No final do século XIX, o Carnaval já fazia parte da rotina dos joinvilenses, tanto nos clubes, com bailes de máscaras e fantasias, quanto nas ruas, com as chamadas passeatas, semelhantes aos blocos carnavalescos atuais. Em 1882, jornais locais registraram a primeira prática da mascarada carnavalesca em um clube da cidade.
“Nesses primeiros 50 anos de Joinville, há inúmeros documentos que comprovam a forte presença do Carnaval, envolvendo tanto a população de origem germânica quanto a afro e luso-brasileira”, afirma Dilney. O Arquivo Histórico reúne fotos e reportagens que mostram a evolução da festa ao longo das décadas.
Entrudo, corso e os primeiros carros alegóricos
No início do século XX, outra manifestação popular ganhou destaque: o entrudo. “As pessoas percorriam as ruas centrais jogando os famosos limões de cheiro, além de água e farinha, tudo como parte da brincadeira carnavalesca”, relata o historiador. A prática, porém, gerou polêmica e acabou proibida em 1917, com previsão de multa.
Paralelamente, surgia o corso, com desfiles de automóveis e caminhões pelo Centro da cidade, onde confetes substituíram os limões de cheiro. Também desse período datam os primeiros registros de carros alegóricos. Em 1914, o grupo Vagalumes desfilou com seis carros, chamando a atenção do público pela criatividade.
Bateria, samba no pé e consolidação da festa
O Carnaval de Joinville nos moldes atuais começou a se formar no fim da década de 1960, com a criação da Escola de Samba Amigos do Kênia, hoje Príncipes do Samba. O grupo surgiu no Kênia Clube, então o único clube negro da cidade, quando amigos decidiram sair em batucada pelas ruas, ainda sem fantasias ou alegorias, mas já embalados pelo samba.
Na sequência, surgiram a Acadêmicos do Serrinha e a Unidos do Boa Vista, dando início aos desfiles competitivos. “Nos anos 1980, há registros de 25 a 30 mil pessoas acompanhando os desfiles nas ruas centrais, especialmente na Rua do Príncipe”, recorda Dilney.
Com o passar dos anos, novas escolas foram criadas e o samba se consolidou como parte da identidade cultural joinvilense, deixando os clubes e ocupando definitivamente as ruas da cidade.
Carnaval de Joinville 2026 marca retorno da competição
Em 2026, o Carnaval de Joinville marca o retorno do desfile competitivo após uma década. Quatro escolas de samba participam da disputa no dia 7 de fevereiro, a partir das 18h, na avenida Beira Rio: Associação Recreativa Escola Fusão do Samba, Escola de Samba Príncipes do Samba, Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Unidos pela Diversidade e Grêmio Recreativo e Escola de Samba Unidos do Caldeirão.
A apuração acontece no dia 8 de fevereiro, a partir das 15h, no Centreventos Cau Hansen. No mesmo dia, o público poderá aproveitar o Carnaval da Família, com baile infantil e atividades para pets no Expocentro Edmundo Doubrawa, além do encontro dos blocos, com concentração a partir das 10h, na Praça da Bandeira.

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