Menos de um mês após limpeza, lixo volta a se acumular na Beira-Mangue em Joinville |
Menos de um mês após limpeza, lixo volta a se acumular na Beira-Mangue em Joinville
-
Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação -
Acúmulo de lixo ameaça o manguezal, favorece a proliferação de animais transmissores de doenças e pode obstruir a drenagem da região
Menos de um mês após retirar cerca de 90 toneladas de resíduos da região da Beira-Mangue, entre os bairros Comasa e Jardim Iririú, a Prefeitura de Joinville voltou a constatar a presença de grande quantidade de resíduos descartados incorretamente no local.
Nos dias 7 e 8 de outubro, a Unidade Regional de Obras Leste e a empresa Ambiental fizeram a limpeza do local, com a remoção de 91,7 toneladas de resíduos. Uma semana depois, as equipes voltaram para monitorar a situação e constataram novo lixo na área. Passado quase um mês, a quantidade de resíduos descartados é ainda maior.
“Esse retorno tão rápido mostra que a limpeza, sozinha, não resolve o problema. É preciso que a comunidade mude o hábito e utilize os canais corretos de descarte”, reforça Marília Gasperin, diretora de Operações da Unidade de Limpeza Urbana da Secretaria de Infraestrutura Urbana (Seinfra).
Segundo a diretora, os impactos causados pelo descarte indevido têm diversas consequências negativas. Há riscos para a saúde da comunidade, já que resíduos acumulados atraem ratos, baratas e escorpiões, e acumulam água parada, o que favorece a presença do mosquito da dengue.
Em relação ao meio ambiente, por se tratar de manguezal, um ecossistema protegido por lei e muito sensível, o lixo contamina o solo e a água e chega aos rios e à Baía Babitonga. Além disso, prejudica a fauna e a reprodução de peixes e caranguejos.
“O lixo também obstrui valas e bocas de lobo, o que aumenta o risco de alagamentos, principalmente agora, com as chuvas mais intensas associadas ao El Niño”, completa Marília.
No âmbito do serviço público, cada limpeza exige a mobilização de equipes, o uso de caminhões e retroescavadeiras. “São recursos que poderiam ser investidos em outras melhorias para os próprios bairros”, destaca Marília.
Desde 2023, essas ações realizadas pela Prefeitura de Joinville recolheram mais de 958 toneladas de resíduos descartados irregularmente.
Infração e crime ambiental
Além desses impactos, vale destacar, ainda, que o descarte incorreto é infração e pode gerar multa, conforme estabelecido pelo Código de Posturas de Joinville (Lei Complementar nº 84/2000). Na área de mangue, a situação é ainda mais grave e pode configurar crime ambiental, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998.
Assim como o descarte, a queima de resíduos a céu aberto também é proibida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. Da mesma forma, o Código de Posturas de Joinville proíbe queimar lixo ou detritos, mesmo nos quintais, quando a queima incomoda a vizinhança ou produz fumaça ou odor nocivos à saúde, o que ocorre na queima de colchões e móveis, por exemplo.
Como descartar corretamente
Além das ações contínuas de limpeza e manutenção das áreas públicas, a Prefeitura de Joinville atua de forma permanente na conscientização da comunidade sobre as formas corretas de descarte de resíduos.
No mês de outubro, a campanha publicitária “Joinville é nossa casa!” reforçou a importância da separação dos diferentes resíduos e a destinação correta de cada tipo de material.
No site da Prefeitura de Joinville, há informações completas sobre como e onde descartar diferentes tipos de resíduos.
Os serviços contemplam resíduos como óleo de cozinha, pneus, medicamentos vencidos, utensílios perfurocortantes de uso doméstico, pilhas e baterias, lâmpadas, entulhos de construção civil, resíduos de caixas de gordura, móveis, vidros, materiais recicláveis, compostagem e materiais sólidos.

Deixe seu comentário