Joinville debate ampliação da fisioterapia domiciliar para pacientes com Guillain-Barré |
Joinville debate ampliação da fisioterapia domiciliar para pacientes com Guillain-Barré
-
Foto: Mauro Artur Schlieck (CVJ) -
Comissão de Saúde discutiu nesta quarta-feira (9) os fluxos de atendimento após a alta hospitalar e a prioridade para pacientes na fase pós-aguda da síndrome
A continuidade do tratamento e a reabilitação de pacientes diagnosticados com síndrome de Guillain-Barré foram debatidas nesta quarta-feira (9), durante reunião da Comissão de Saúde de Joinville. O encontro reuniu vereadores e gestores da Secretaria Municipal da Saúde para discutir os fluxos de atendimento entre o Hospital Municipal São José e a rede de Atenção Básica, com destaque para a fisioterapia domiciliar.
Referência municipal em neurologia, o Hospital Municipal São José é responsável pelo diagnóstico e pelo manejo inicial dos pacientes com a síndrome. De acordo com o gerente técnico e de regulação da unidade, Vinicius Barrea, a confirmação do diagnóstico pode envolver exames como tomografia e punção lombar. Após a avaliação, o tratamento pode incluir a aplicação de imunoglobulina.
A reabilitação começa ainda durante a internação. Fisioterapia e fonoaudiologia são iniciadas enquanto o paciente permanece no hospital, conforme as necessidades de cada caso. Pacientes que apresentam maior complexidade também podem receber atendimento da Equipe Multidisciplinar de Atendimento Domiciliar (EMAD) por até 30 dias após a estabilização clínica.
Após a alta, o acompanhamento passa a ser realizado pela rede municipal de Atenção Básica.
Pacientes recentes têm prioridade para fisioterapia
A gerente de regulação da Secretaria Municipal da Saúde, Flaviane Andrzejewski, explicou que pacientes acamados ou com mobilidade reduzida podem receber fisioterapia em casa por meio das equipes eMulti, mantidas pelo SUS, ou de empresas credenciadas pela Secretaria.
Atualmente, a regulação segue o protocolo geral destinado a disfunções neurológicas. No entanto, pacientes que estão na fase pós-aguda recente, entre zero e três meses após o evento, são classificados como prioridade P1, com o objetivo de acelerar o início da reabilitação.
Durante a reunião, o vereador Doutor Cassiano Ucker (PL) ressaltou a importância de iniciar rapidamente os estímulos de reabilitação. Segundo ele, a capacidade de recuperação motora e neurológica pode ser elevada quando o tratamento é iniciado de forma precoce.
O parlamentar defendeu que os casos mais recentes tenham prioridade na regulação, com o objetivo de reduzir o risco de incapacidades permanentes e, consequentemente, a necessidade de acompanhamento contínuo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Vereador relata dificuldade de acesso ao atendimento
A discussão também partiu de uma demanda apresentada à Comissão de Saúde. O vereador Pastor Ascendino Batista (PSD) relatou o caso de uma moradora que estaria enfrentando dificuldades para conseguir fisioterapia domiciliar.
O parlamentar questionou os representantes da Secretaria Municipal da Saúde sobre a existência de possíveis demandas represadas.
Em resposta, os gestores colocaram as equipes à disposição para avaliar a situação apresentada e informaram que os fluxos de regulação podem ser revisados para garantir que os pacientes sejam atendidos de acordo com os protocolos estabelecidos pelo município.
O que é a síndrome de Guillain-Barré?
A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico passa a atacar estruturas do sistema nervoso periférico. Geralmente, a síndrome surge após uma infecção, quando a resposta imunológica acaba afetando os nervos responsáveis por transmitir informações entre o cérebro e diferentes regiões do corpo.
Segundo o Ministério da Saúde, a doença apresenta incidência anual estimada de um a quatro casos a cada 100 mil habitantes, sendo considerada uma condição rara.
Um dos principais sinais é a fraqueza muscular progressiva, que costuma começar nas pernas e pode avançar para outras partes do corpo. Também podem ocorrer alterações na sensibilidade, como formigamento e redução da percepção de frio, calor ou toque.
Em casos mais graves, a doença pode comprometer músculos responsáveis pela respiração, exigindo acompanhamento hospitalar.
Fisioterapia é parte importante da recuperação
A recuperação após a síndrome varia de acordo com cada paciente e pode exigir acompanhamento multiprofissional. A fisioterapia pode atuar na recuperação da força e dos movimentos, além de incluir abordagens respiratórias e neurológicas.
Dependendo das sequelas apresentadas, o acompanhamento também pode envolver profissionais como fonoaudiólogos.
Por isso, a continuidade da reabilitação após a alta hospitalar é considerada parte importante do processo de recuperação. Em Joinville, a discussão realizada pela Comissão de Saúde busca justamente aprimorar a transição entre o atendimento hospitalar e o acompanhamento realizado pela rede municipal, especialmente para pacientes que precisam de atendimento em casa.

Deixe seu comentário