Próximos três meses terão chuvas frequentes e temperaturas mais altas em Santa Catarina

  • Foto: Leo Munhoz / SecomGOVSC -

De acordo com a previsão, até o fim da primavera ainda é esperada a atuação de ciclones, frentes frias e massas de ar frio

O El Niño muito forte deve manter a chuva frequente em Santa Catarina entre novembro e janeiro, com possibilidade de volumes acima do esperado, principalmente no Oeste do estado. A previsão foi analisada no 247º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas da Defesa Civil, da Epagri/Ciram, do IFSC e da UFSC.

De acordo com a previsão, até o fim da primavera ainda é esperada a atuação de ciclones, frentes frias e massas de ar frio no Sul do país, que costumam provocar chuvas constantes. Com a chegada do verão, o cenário muda um pouco. Os temporais devem se tornar mais isolados e passam a estar associados ao aumento das temperaturas, e não mais à influência de ciclones e frentes frias. “São os típicos temporais de verão que a população costuma observar no fim de tardes abafadas”, explica o meteorologista da Defesa Civil, Caio Guerra.

Apesar de isolados, os temporais de verão costumam trazer chuva intensa em curto período de tempo, com potencial para provocar alagamentos e enxurradas. Por isso, historicamente, dezembro e janeiro concentram um alto número de ocorrências, o que exige atenção especialmente em um ano de El Niño.

Com a presença maior de dias nublados, as tardes tendem a ser mais amenas em novembro. “As nuvens funcionam como um cobertor térmico, que bloqueia o calor que vem de fora e retém as temperaturas que já estão dentro, reduzindo a variação térmica”, explica Guerra. Mesmo assim, a previsão do Fórum indica temperaturas mais baixas pela manhã, com possíveis episódios isolados de frio até o fim da primavera, em 21 de dezembro. Entre dezembro e janeiro, podem ocorrer episódios de calor intenso, típicos do verão.


El Niño deve manter intensidade muito forte até fevereiro de 2027

O Fórum Climático também analisou a influência do El Niño ao longo dos próximos três meses. De acordo com a NOAA, há 96% de chance de o fenômeno continuar na categoria muito forte até fevereiro de 2027. Ele começa a perder força a partir do trimestre de fevereiro a abril, mas a tendência é que continue ativo até o início do outono do próximo ano.

A categoria muito forte foi alcançada no último mês, quando as anomalias de temperatura da superfície do mar na região equatorial do Oceano Pacífico superaram 2 °C. Segundo a NOAA, na última semana o índice chegou a 2,5 °C na média semanal, o valor mais alto registrado desde o início do fenômeno.

Os efeitos já começaram a aparecer no Sul do país. O El Niño é conhecido por deixar o tempo mais chuvoso na região, e nos últimos meses o Paraná tem sido um dos estados mais afetados por eventos extremos. Em Santa Catarina, o aumento de dias nublados influenciou as temperaturas, que ficaram abaixo do normal para a época e trouxeram maior sensação de frio ao longo de outubro.

A chuva também afetou o estado catarinense ao longo deste mês. Os impactos mais recentes se concentraram no Grande Oeste, no Planalto Norte e no Litoral Norte, com ocorrências de alagamentos, enxurradas, deslizamentos e inundações. Entre os municípios mais afetados estão Anchieta, que acumulou em outubro 430 mm, e Maravilha, com 379 mm. No Litoral Norte, Garuva registrou 395 mm de chuva, seguida por Joinville, com 365 mm. Segundo os registros da Defesa Civil estadual, 84 municípios registraram ocorrências por vendaval, chuva intensa, granizo, alagamentos e enxurradas durante o mês.


Recomendações

A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SDC/SC) destaca que o período exige acompanhamento das condições meteorológicas e dos acumulados de chuva, sobretudo durante a atuação de sistemas capazes de causar tempestades severas, com granizo e rajadas intensas de vento. Por isso, a SDC orienta a população a acompanhar diariamente os avisos e boletins de previsão do tempo nos canais oficiais, além de seguir as recomendações da instituição.

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