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Vida e Morte de um Herói do 13 BC - Capítulo VII

Foto: Álbum da família Silveira de Souza
Casamento na família Sell - Da esquerda p/ a direita (em pé) João Alexandre de Moura (Papa açúcar), Ludovico Sell (Bruda), Adolfo Sell (Vida torta, Thomaz Silveira de Souza (presidente do Boa Vista Futebol Clube) e Gustavo Sell - sentados: Pedro Vieira e Augusto Schramm - 1942

Da redação - 15h10min - Apesar de estar em curso um conflito bélico na Europa, iniciado em 1º de Setembro de 1939, com a invasão da Polonia pelo Exército Alemão, a vida seguia com normalidade na família de Etelvino. A olaria criava novos modelos de vasos para o cultivo de orquídeas em diversos tamanhos e acrescentando furos laterais, de acordo com a orientação técnica de orquidófilos. A boa qualidade da matéria prima, o barro, fornecido pela Fabrica de Telhas de Emílio Stock Sênior, no Jarivatuba, transportado pela canoa na volta das  frequentes viagens entre o Boa Vista e São Francisco do Sul, mantinha a excepcional qualidade final dos produtos.

Na comunidade, o oleiro-empresário  Thomaz Silveira de Souza, agora presidente do Boa Vista Futebol Clube, despontava como uma das mais fortes lideranças. Através do futebol, Thomaz fortalecia seu relacionamento com vizinhos, especialmente com a família Sell, proprietária do Salão Boa Vista e de extensa área cedida para o campo do  Vista Futebol Clube. Mais tarde, dois casamentos entre membros das duas famílias viriam consolidar o relacionamento.

Thomaz e Etelvino possuíam bicicletas, que eram poucas no bairro. As filhas moças que trabalhavam na Textil Schmalz, no inicio da rua Visconde de Taunay, se deslocavam a pé desde a casa da família nas proximidades da esquina com a atual rua Jaguarão. Trabalhadores do Moinho, residentes no Boa Vista e Guaxanduva seguiam a pé até rua Aubé, em frente a atual Servidão Fritz Alt e na margem do rio Cachoeira esperavam o canoeiro para atravessar e chegar ao local de trabalho.

Pai e filho tinham na bicicleta não só um veículo para se deslocar a serviço, mas também para o esporte e lazer. Etelvino se dedicava ao ciclismo participando de competições que na época eram realizadas nas ruas centrais da cidade. Gostavam tanto da bicicleta, que por volta de 1942 empreenderam uma viagem de ida e volta a São José, atual região metropolitana de Florianópolis, pedalando e enfrentaram os perigos imprevistos de uma estrada precária.

Contava  Etelvino, que uma das maiores dificuldades foi a descida do Morro do Boi, atualmente área do município de Balneário Camboriú. Na época as bicicletas possuíam somente o chamado freio-pedal, ou contra-pedal.  Freava somente a roda traseira e se acionado durante longas descidas existia o risco de ocorrer o superaquecimento do torpedo provocando danos ao sistema de freio. Parados antes de iniciar a descida os dois trocavam ideias para evitar o risco de ficar sem freio no meio da serra. Então resolveram amarrar um galho de árvore na traseira das bicicletas e com isso aliviar o uso do freio-pedal. Deu certo, dias depois estavam de volta ao Boa Vista com muitas histórias para contar.

Duas doenças endêmicas, a malária e a esquistossomose mantinham a família de Etelvino em estado de alerta. Quase todos os dias havia alguém da família na cama com febre alta o que muitas vezes levava ao delírio e convulsões. A Fiocruz -  Fundação Oswaldo Cruz, define a malária  como "uma doença infecciosa, febril, potencialmente grave, causada pelo parasita do gênero Plasmodium, transmitido ao homem, na maioria das vezes pela picada de mosquitos do gênero Anopheles infectados. No entanto, também pode ser transmitida pelo compartilhamento de seringas e transfusão de sangue".

As crianças, além da malária, eram afetadas pela esquistossomose, que exigia frequentes idas ao Posto de Saúde do Estado, que ficava na esquina das ruas Pedro Lobo e Jaguaruna, para receber o lombrigueiro  também conhecido como vermífugo, um remédio utilizado para expelir lombrigas do organismo. A esquistossomose é uma doença endêmica e debilitante e a contaminação ocorre através de um parasita de água doce também existentes em locais que não possuem saneamento básico. A doença também é conhecida como barriga d'água.

Com o uso de pílulas de quinino e lombrigueiros, Maria Francisca, Thomaz e os 11 filhos sobreviveram à malária, à esquistossomose e a vida continuava sorrindo para a família. Foi nesse clima que o nosso futuro herói não resistiu ao ataque do cupido e se apaixonou.

Que o destino estará reservando para o casal apaixonado?  É o que vamos saber próximo capítulo que será postado no dia 17/1, segunda-feira.

Ary Silveira de Souza - Editor do JI Online








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