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Vida e Morte de um Herói do 13 BC - Capítulo VI

Foto: Internet
Forno sendo carregado com louças de barro para a queima

Da redação - 21:02 hs -Maria Francisca abriu a porta da frente e saiu correndo aos prantos. As lágrimas de tristeza antes derramadas durante fervorosas orações diante da moldura de São Pedro, agora jorravam de alegria. A algazarra formada pelos filhos e vizinhos que sabiam das viagens rotineiras de Thomaz e Etelvino e também conheciam os perigos do mar, vibravam com a chegada de ambos. Assim que avistou marido e filho, Maria Francisca não sabia a quem abraçar primeiro,  seus braços, como asas de anjo tutelar abraçaram Thomaz e Etelvino, beijando-lhes as faces também molhadas pelas lágrimas da emoção.

Por que Thomaz e Etelvino chegaram em casa pela frente, já que o caminho do porto ficava nos fundos da casa ? Resposta que os filhos e vizinhos já sabiam, Maria Francisca ainda tentava perguntar com a voz embargada pelos soluços.

A alegria que reinava em frente à casa com muita gente sentada no banco de madeira em volta do tronco da frondosa cerejeira, se transferiu para o interior da casa, para onde se dirigiram os recém-chegados. Maria Francisca que aos poucos se recuperava  da ansiedade, ao abraçar marido e filho, achou que era a hora de saber como os dois haviam chegado, por que não vieram pelo caminho do porto, e onde estava a  canoa. Pressentido a curiosidade da  mãe, Etelvino contou com todos os detalhes desde a decisão do pai de deixar a canoa  em São Francisco do Sul e voltar de trem; a chegada na estação em Joinville e a jornada a pé até o Boa Vista.

Os tempos eram favoráveis para a pequena indústria, com apenas três filhos homens, dois ainda crianças, cada vez mais Thomaz dependia da ajuda de Etelvino, tanto na produção como na comercialização dos produtos.  Além da importância de sua contribuição nos serviços da olaria, Etelvino, desempenhava importante papel na solução de todo e qualquer problema doméstico.

Durante o verão os temporais eram frequentes, principalmente nos fins de tarde. Um desses temporais acompanhados de forte vento noroeste e intensa chuva destelhou parte da casa e a escada do sótão mais parecia uma cachoeira. Mais uma vez Thomaz contou com a presteza de Etelvino para deslocar móveis e reparar os danos causados pela tempestade.

No dia em que formigas-correição, uma praga terrível, invadiu a casa, incluindo o sótão, Thomaz foi forçado a transferir a família para uma casa próxima que estava desocupada. Durante duas noites o casal e os 11 filhos dormiram no chão sobre esteiras. Durante o dia, liderada por Thomaz e Etelvino, a família trabalhava para se livrar das formigas. No terreiro, sobre tijolos, Maria Francisca fervia água em latas de 18 litros para matar os insetos.

Internet/Correição de formigas expulsou a família de casa
Etelvino despejava água fervente sobre a correição no interior da casa enquanto os pais usavam enxadas para juntar as formigas mortas e com a ajuda uma pá enchiam grandes latas que eram esvaziadas no mato próximo. No terceiro dia a família havia se livrado das formigas e tudo voltava à normalidade, permanecendo na mente de todos as cenas dignas de um filme de terror.

Como não era normal uma casa ser invadida por milhões de formigas, começaram a surgir comentários baseado na sabedoria popular. Muitos afirmavam que a correição seria um prenúncio de mudança de casa ou até mesmo de cidade. Ninguém na família acreditava em tal possibilidade. A olaria produzia grande quantidade de louças para um mercado em crescimento; a família cada vez mais de firmava na comunidade e Thomaz havia vencido e eleição para a presidência do Boa Vista Futebol Clube.

Embora de  alto porte físico, o coração do futuro herói não resistiu ao ataque do cupido, e se apaixonou por uma jovem boa-vistense. Você vai conhecer também o sofrimento da família infectada pela malária, uma doença febril, potencialmente grave; Novas postagens às segundas-feiras.

Ary Silveira de Souza - Editor do JI Online






 





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