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Adolescente da Cidade de Deus é aposta no boxe nacional

Foto: Terra

Originado na Grécia antiga, o boxe é uma modalidade olímpica praticada em diversos países e também está presente nas favelas, mudando a vida de crianças e adolescentes. É o caso de Ruan dos Santos, 15 anos, morador da Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro, mais precisamente da favela do Karatê. O jovem sonha em ser boxeador desde criança - embora não soubesse exatamente o que fazia um profissional das artes marciais. Foi em 2021, após sua entrada na ong Nóiz, que o seu sonho começou a ser realizado.

O projeto, inspirado em uma música de Emicida: "é 'nóiz' que corre o caminho do bem, 'nóiz' não virava um 'vintém'...", nasceu na parte mais pobre da Cidade de Deus, o Brejo, e busca formas criativas de esporte, ensino e cultura para apoiar moradores da comunidade. Em 2018, o projeto contava com a ajuda de médicos dermatologistas, para consultas em crianças que sofriam problemas de pele, provocados, muitas vezes, pelo esgoto a céu aberto, na área, com barracos sem acesso à água e à luz. Atualmente, com a chegada da pandemia, a iniciativa precisou distribuir máscaras, álcool em gel e cestas básicas. Já foram distribuídas cerca de 20 toneladas de alimento.

Como na maioria das situações cotidianas, meninas e meninos oriundos de favelas têm a necessidade de trabalhar e levar um sustento financeiro para a família. Ruan viveu realidade parecida, ele precisou parar de praticar boxe para vender doces nos semáforos da zona oeste do Rio de Janeiro. Essa atitude ocorreu depois que sua avó Andreia Pereira, 51 anos, diarista, perdeu dois empregos por causa da pandemia.

Cientes dos problemas que o jovem e sua família estavam passando, os coordenadores do Nóiz se mobilizaram e conseguiram o apoio de Leo Cubica, parceiro da iniciativa, que se sensibilizou com a história e, juntos, criaram o bolsa atleta, no valor de R$ 600, que é entregue mensalmente para dona Andreia, avó de Ruan, com o objetivo de manter no rapaz a chama de ser um boxeador profissional. Com o bolsa atleta, a vida do aspirante a boxeador começou a mudar e ele passou a treinar de forma profissional, semanalmente. Além disso, sua vida melhorou muito, pois, segundo sua avó, com o dinheiro da faxina, não seria possível comprar roupa nova de fim de ano, nem outras coisinhas que ela compra com o "dinheirinho".   

Por ser um esporte de grande rendimento, o boxe provoca um grande impacto, físico e emocional nos adeptos. Nesse sentido, o pugilista tem o desejo de passar todos os ensinamentos para que as crianças de favelas cresçam mais fortes e seguras das suas tomadas de decisões. "Quando eu entrei na nova turma da Nóiz, eu era o aluno que tinha mais tempo e experiência. Tudo que eu aprendi, passo para os alunos. No início dos treinos tinha um menino que sentia medo de mim, mas, com o tempo, fui ganhando a confiança dele. Hoje eu passo tudo que sei: golpe, contra-ataque, defesas, trabalho de pernas, etc. Só quero que, geral nas favelas, seja feliz e espero que um dia ninguém duvide que o favelado poderá chegar onde quiser" afirma Ruan.

A Nóiz tem patrocínio da escola particular de ensino infantil e fundamental, Vira-Virou, localizada no Bairro do Recreio dos Bandeirantes. As inscrições para as aulas de boxe estão abertas para 2022, são gratuitas para alunos da Cidade de Deus, e podem ser feitas diariamente, de segunda à sexta-feira, das 10h às 17h, na sede da ONG.






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