CAMPO & CIDADE

SOS Babitonga

Onévio Zabot - Engenheiro agrônomo e servidor de carreira da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) - Membro da Academia Joinvilense de Letras

No último dia 14 de junho, em Itapoá, ocorreu uma reunião do Grupo Pró-Babitonga (GPB). Histórica, com certeza, pois rememorava
cinco anos de mobilização em prole do referido ecossistema. Evento notável. Balanço geral. Presença significativa de participantes, sobretudo de atores e instituições que de alguma forma interagem no ecossistema.

A origem de tudo: incidente ambiental - virada de uma barcaça carregada de bobinas de aço. Ano fatídico, 2005; mês, março; dia 11.
Vazamento de óleo. Caos. Ministério Público acionado. Indenizações nada modesta. Pressão do extrativismo. Pesca comprometida. E a maricultura, embora incipiente, à deriva. Cultivo de mariscos interditados. A reação: Babitonga Ativa, iniciativa da UNIVILLE. Ambientalistas - alvissaras! - ousam ouvir a comunidade. Fato inédito, porém, imprescindível sob pena de soçobrar qualquer iniciativa sustentável.

O evento, portanto, evocou iniciativas. Oportunas iniciativas. Entre as principais - elencaram: 1) fiscalização e educação ambiental, 2) e
estudos preliminares para abertura do canal do linguado. Ressalte-se: no caso em tela, a atuação do Ministério Público
Federal - ao lado a UNIVILLE -, foi decisiva para a iniciativa em curso, especialmente no que tange à mobilização dos atores atuantes no território.

Certamente, poucos ambientes reúnem tantos atributos ecológicos quantos os presentes nesse rico santuário natural: Baia da Babitonga. Um berçário da vida, indubitavelmente. Santuário ecológico. Esses mesmos atributos, no entanto, ao mesmo tempo em que
encantam, atraem empreendedores e circulantes, que por sua vez sobrecarregam o ecossistema, comprometendo assim sua vocação
natural.

Pressão do complexo portuário e viário, supressão de vegetação, sobrepesca e urbanização acelerada do entorno, numa escala sem
precedentes, tendem a deslocar o ponto de desequilíbrio supostamente desejável. Desde que os navegadores lusitanos e franceses aportaram nas águas tranquilas da Babitonga (mar de morcego), intercorrências de natureza antrópica acentuaram-se sobremaneira. E não apenas no ambiente aquático, mas sobretudo no entorno, entorno que compreende todos os mananciais que desaguam na baia. E adjacências. Complexo Babitonga. E também as áreas agrícolas. E, embora as tentativas de ordenamento territorial empreendidadas
- a começar pelo Plano de Gerencialmente Costeiro -, percebe-se que, mesmo assim, gradativamente, a pressão antrópica aumenta de forma exponencial.

E, aí temos forças antagônicas - verdadeiro cabo de guerra tensionando-se. De um lado os preservacionistas radicais para quem "nada pode", e de outro os desenvolvimentistas, se assim podemos denomina-los, ampliando a intervenção no ecossistema, especialmente o
setor portuário e na urbanização em franca expansão. Exportações e importações, assim é no mundo todo, via sistema portuário,
movem a economia global. O setor turístico por sua vez atraí a indústria imobiliária, poderosa e em escala ascendente avança em todo enclave costeiro.

Informações extraoficiais dão conta que entre Itapoá em Balneário Camboriú, neste momento, 180 edifícios estão sendo construído. Paliteiro imenso quase a perder de vista. Alguns deles sombreando praias, escondendo o sol nosso de cada dia. Certamente, de todas as ações em curso, a fundamental, é elevar o nível de consciência da população. Começando pelas escolas. Educação formal. E comunidades costeiras. Educação Informal. E ribeirinhas também, pois operam como colchão de amortecimento ambiental. E aí entra a educação ambiental como carro-chefe. Não basta, entretanto, apenas isso. A fiscalização há que estar presente. Ostensiva, porém, interativa.

Do evento fica o legado: a comunidade unida é fundamental, pois sem essa interatividade dispersam-se energias. E percebe-se claramente: esse momento é o momento de ensejar o diálogo, pois políticas meramente de comando- controle como no passado pouco contribuem. Parabéns, portanto, a todos os protagonistas do Grupo Pró Babitonga que, com inteligência e bom senso -, constroem um novo modelo de sustentabilidade. Modelo sobretudo alicerçado na confiança mútua, na solidariedade e na boa governança. Governança participativa, sobretudo.

Afinal: "Navegar é preciso, viver não é preciso", já diziam os Romanos". (Pompeu, citado por Plutarco).

Joinville, 18 de junho de 2022.





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