CINE CAFÉ

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Os Sete de Chicago - Victória Destefani

Victória Destefani Silveira de Souza - Apaixonada por cinema é Técnica em Turismo

O ano é 1968. A Guerra do Vietnã ocorre e deixa o mundo colapsado. Contrários à morte de pessoas inocentes que são mandadas para lutar na guerra, um grupo organiza um protesto pacífico em Chicago, onde acontecia a Convenção Nacional Democrata. Mas, as coisas tomaram grandes proporções e alguém deveria ser condenado pelo protesto. O governo decidiu, então, culpar um grupo de sete pessoas pela conspiração. Dirigido por Aaron Sorkin, o drama histórico mostra o julgamento de sete jovens em um enredo de fácil entendimento e que ultrapassa as barreiras dos tribunais.

O roteiro merece destaque na produção. Aaron Sorkin é capaz de engrandecer momentos com os diálogos perfeitamente encaixados. Chega a ser artificial demais, pois as pessoas não se comunicam assim na vida real. No entanto, com os atores corretos, essa brincadeira com as falas e discussões pode tornar-se genial. Como o roteirista também é o diretor do filme, os diálogos conversam diretamente com a atuação dos personagens, e fazem a produção ser atraente e divertida, de maneira que diversas cenas são icônicas e muito bem pensadas.

A montagem do filme também merece notório destaque. A produção começa interligando os personagens de maneira complementar, ou seja, mostrando como cada um chegou ao ideal de lutar contra a morte de pessoas inocentes, e como essas histórias se complementam. Esse ritmo faz com que as ideias se movimentem bem. Inclusive, a edição tem papel fundamental para que isso aconteça, pois utiliza o recurso de flashbacks a todo instante, mas sem tornar cansativo para o interlocutor, gerando algo vigoroso de ser assistido.


Com relação ao elenco, não há o que reclamar. Contando com atores de peso, o filme investe muito bem nisso. O destaque vai para Frank Langella, que combina perfeitamente com o papel de juiz imparcial, uma maneira sensacional de representar toda a burocracia do julgamento. Outro merecido destaque está em Mark Rylance, que mesmo sendo clichê, consegue transmitir com muito êxito a raiva e a frustração do outro lado da história. Yahya Abdul-Mateen II é o dono das cenas mais impactantes do filme, e ele sabe muito bem como interpretar e dar um ótimo ritmo ao roteiro de Sorkin.

Apesar de intrigante, Os Sete de Chicago deixam a desejar no contexto de inserção do interlocutor com relação à trama. No começo da produção, somos levados ao momento em que a história se passa: Guerra do Vietnã e jovens revoltados. Mas não há uma maior abrangência, um maior conhecimento do que será retratado. Essa falha no filme faz com que o telespectador sinta-se um pouco deslocado com relação ao que irá assistir. Essa, para mim, é a grande falha da produção.

Os Sete de Chicago é uma produção interessante, que te prende com diálogos marcantes e momentos icônicos que podem - e devem - ser trazidos para discussão. As pautas que o filme retrata são de extrema importância para que possamos entender os Estados Unidos atual e o nosso próprio sistema. O filme merece sim um destaque no Oscar, principalmente na área da direção. Será que a película de Aaron Sorkin irá faturar uma estatueta esse ano?





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